A tenda de uma cigana que adivinha o futuro, uma bela mas egoísta princesa que roubou um trono e uma criança inconveniente e difícil que todos acreditam ser o príncipe que os irá salvar… ou melhor, todos excetuando os seus irmãos, uma rapariga e dois rapazes, que se veem involuntariamente enredados numa missão e numa viagem de outro mundo… literalmente falando.

Erguer pontes e não muros e a questão da tolerância são os temas-chave de “Cassandra’s Cavern”, uma aventura de fantasia contemporânea, de sabor hollywoodesco, que coloca quatro crianças inglesas oriundas de Colchester, em Essex, a percorrer o caminho do Louco e a nele encontrarem e experienciarem os 21 arquétipos do baralho de Tarot.

Quando Floella, Henry, Albert e Humphrey são levados pelo seu Tio Sam à feira do Parque do Castelo de Colchester, acabam por viver algo mais do que as diversões habituais. No momento em que entram na tenda de uma vidente cigana em busca de Muffet, o bisbilhoteiro cão do seu tio, dão por si no interior de uma caverna sem saída.

Apercebem-se de que não estão sozinhos quando se deparam com outra alma revoltada, tão encurralada e perdida quanto eles: o Louco, um bobo da corte, excêntrico e bem-humorado, oriundo da Inglaterra do século XV.

Juntos iniciam uma viagem do outro mundo, que os levará até às profundezas do agitado Reino dos Ventos do Sul, cuja população se encontra sob o jugo malévolo da imperatriz Zilda Tarakanova, uma mulher manipuladora, egoísta e controladora.

A Imperatriz vive no temor constante de uma lenda popular que profetiza o fim do seu reino perverso às mãos de um príncipe salvador que o irá resgatar da tirania.

Quando os relatos dos seus espiões lhe dão conta de que chegaram ao seu reino alguns estrangeiros misteriosos, vindos de longe, e que um deles, o rebelde Humphrey, está a ser aclamado como o príncipe prometido, a Imperatriz fica alarmada. Decide, então, perseguir a criança com a ajuda dos seus pérfidos agentes, os Schmammelonks, acabando por raptar o infortunado Humphrey.

Embora se aperceba, mais tarde, que Humphrey não é o príncipe que todos há tanto tempo aguardavam, a Imperatriz decide adotá-lo e criá-lo como o seu Príncipe Coroado fantoche, apresentando-o ao povo como o seu real salvador.

Com o desenrolar da história, os viajantes acabam por conhecer as personagens centrais do romance: o dissimulado e astuto Mágico; a arrogante e autoritária Cassandra, Grã-Imperatriz da Luz Suprema; a intrépida e curvilínea Boadicea, a Cocheira; e o humilde jardineiro Jake, o Rejeitado, o qual, assumindo o papel da Morte, transporta até à outra margem as almas dos vencidos após a Batalha de Glumpy Glen – um dos dois momentos de viragem na narrativa, e que surge apresentado em verso.

Cruzam-se também com Bazoozoo, um diabo ardiloso e intriguista que surpreendentemente, após possuir Albert, revela às crianças a solução para derrotar os inimigos dos aldeões, os Schmammelonks.

Já próximo do final do livro as crianças descobrem que uma das personagens que lhes serviu de guia durante a viagem, o Eremita hip-hop, é afinal o Príncipe Sibellian, o libertador. Juntos, acabam por organizar uma Armada para resgatar o reino das mãos da malvada Imperatriz, a qual será julgada e encarcerada num convento em Severnia, o Reino dos Ventos do Norte, do qual é rainha a sua meia-irmã Zoya.

O Louco, a única personagem que os acompanha ao longo de quase toda a sua jornada, representa, em larga medida, as expectativas ingénuas e inocentes das crianças. Tal como ele, elas embarcam na viagem que é a própria vida. No entanto o Louco é assassinado tragicamente no final, sendo a última personagem que, por uma razão ou por outra, os abandona, deixando nas crianças a consciência de que, em última instância e independentemente de quem nos acompanha ou connosco se cruza no desenrolar das nossas vidas, devemos percorrer sozinhos o caminho que compõe o nosso próprio destino.

A obra está dividida em duas partes, sendo composta por 21 capítulos ou “trunfos” que refletem os Arcanos Maiores do Tarot. Cada trunfo encontra-se subdividido em vários capítulos mais pequenos, denominados “pergaminhos”, que representam os diferentes aspetos dos Arcanos Menores do Tarot.

Psicológicos:
Medo do abandono e da perda, questões de apego, negligência emocional na infância e narcisismo neurótico.

Psíquicos:
Aura, clarividência, Sutra do Lótus e limpeza do karma, New Age.

Políticos:
O ressurgimento do nacionalismo ao estilo da década 30; perseguição e intolerância religiosa, racial, étnica e política; o flagelo da corrupção e do clientelismo; as falhas e a desunião inerentes ao projeto da União Europeia; a ansiedade económica do Ocidente face à competição do Extremo Oriente.

Ambientais:
Os perigos e desafios das alterações climáticas desencadeadas pelo Homem.

Público-alvo:
Adolescentes, jovens adultos e idades intermédias (12-21)

Chris Graeme é jornalista e tradutor.
Estudou russo e frequentou o curso de Estudos Soviéticos na Universidade de Essex, em Colchester, tendo trabalhado em jornais em South Devon, Londres, Moscovo, São Petersburgo e Lisboa, Portugal, local onde vive e trabalha presentemente.